De Fukushima à Obama



Não se trata de minimizar o que aconteceu no Japão, muito pelo contrário. Essa é uma daquelas raríssimas exceções em que a realidade supera a ficção em muito, a exemplo do 11 de setembro, as imagens não deixam dúvidas.

Quando um terremoto de nove pontos, o maior da história, atingiu o Japão, pensamos: não dá pra ficar pior, mas ficou.

Quando um Tsunami gigante atingiu a costa nordeste do Japão, pensamos: não dá pra ficar pior, mas ficou.

Quando o sistema de refrigeração das Usinas Atômicas de Fukushima ficou comprometido e superaqueceram os reatores causando vazamento de material radioativo, pensamos: caramba, agora não dá pra ficar pior, mas ficou.

Não é de hoje que a imprensa tem esse cacoete sensacionalista. Se dá audiência, vamos subir o tom. Mentir não, apenas subir o tom, “afinal, nada pode ser tão ruim que não possa parecer pior”.  E aí tudo fica muito ruim mesmo.

O problema é que nunca na história uma catástrofe foi tão bem documentada. As redes sociais, as novas tecnologias vieram de enxurrada e encheram a web de informações, imagens, depoimentos trágicos, e no meu caso, graças a Deus, tranquilizadores.  Todo cidadão com um celular na mão virou um repórter, todo otimista, todo pessimista, e aqui um senso comum: em épocas de tragédia, japonês não tem tempo pra pessimismo. O pessimismo vinha de fora.

Que bom! Tínhamos então um panorama diferente dos editores dos jornais e da CNN.

Pois bem, agora que tudo está se controlando em Fukushima, vem o Presidente Obama, a Michelle e seus vestidos, e oportunamente roubam as atenções da mídia.

Lá nos EUA existem dois termos distintos para o que chamamos de “Propaganda” por aqui: Propaganda lá, se refere à comunicação governamental, política etc.

E Advertising se refere a campanhas de venda de produtos e institucionais de marca etc.

Para não esticar demais o assunto, se fala demais no poder de persuasão da nossa “Advertising”, e já tive até crises existenciais por causa disso. Mas a cada dia que passa, a cada nova manchete, percebo mais e mais que os jornais, ao dar uma notícia, coincidentemente ou não, acabam fazendo muito mais “propaganda” do que nós publicitários.

Dá pra ficar pior? O pau começou a comer na Líbia. Alguém duvida?

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  1. rafael gouveia disse:

    oaieoaieoiaoeioaeoeio…
    infelizemente meu caro Andrey dá sim!
    Tu esqueceu de mencionar o Irã!
    que vai ser a próxima bomba da mídia!
    parabéns pelo blog…tá muito legal!!