“Tablets substitui livros”.



 

 

Não tenho nenhuma intenção de reacender a polêmica, apenas relatar novos fatos.

Alguns dias atrás todo mundo viu um monte de gente altamente revoltada se manifestando nas redes sociais contra uma campanha publicitária de uma escola aqui de Fortaleza, onde o título dizia: “Tablets substitui livros”.

Achei a reação desmedida, do tipo: “Não fale de mamãe que eu piro!…”

Eu que sou das antigas, estranhei aquele movimento “pró-papel”, mas fiquei meio quieto esperando pra ver no que ia dar.

Deu merda. Pais de alunos do dito colégio ameaçando tirar seus filhos e transferi-los para outras que “respeitassem mais a cultura”, que não “ensinassem tais absurdos.”

Gente de todas as profissões, intelectuais, acadêmicos, amantes dos livros convencionais, dirigiam seus insultos e seus repúdios à escola e por tabela aos publicitários envolvidos na famigerada campanha.

Pior do que isso, escolas concorrentes se aproveitando da “pisada na bola” da outra, sapecaram campanhas do tipo: “aqui a gente respeita os livros”, ou coisas do tipo. Todas bem ruins, pra não dizer burrinhas e oportunistas, diga-se de passagem!

Pois bem, passados alguns meses, vem ao ar uma reportagem do New York Times falando do fechamento de grandes e “tradicionais” livrarias nos EUA e do crescimento recorde das vendas dos E-Books, ou livros para tablets, ultrapassando em muito as vendas de livros convencionais. E agora dizer o que?

Realmente, não acho que tenha sido outra coisa, senão o “impulso imediato” de reação que a internet provoca nas pessoas. É bem óbvio que os tablets irão substituir os livros sim, e todos nós já sabíamos disso. Só éramos (somos?) resistentes.

Se tivéssemos pensado mais um pouquinho, esse linchamento não teria ido tão longe.

Os argumentos mercadológicos dos “E-books” são irresistíveis! Pra começar, menor preço. Depois, tirando todo o apelo da praticidade, da tecnologia e da modernidade, ainda tem a questão ecológica do “não papel”. Sem falar naquele “impulso imediato” ou “efeito manada”, que como já falamos antes, é capaz de promover revoluções.

“Mas tem o cheiro, o contato com o livro físico, a experiência sensorial…” Diriam os mais velhos e saudosistas. Certamente um livro de cabeceira ou outro irão resistir pra presente e para o deleite dos colecionadores e aficionados.

É claro que até os mais conservadores serão “cooptados” pelos novos tempos. E é fácil prever que nunca na história as pessoas irão ler tanto e comprar tantos “livros”. É isso que a “acessibilidade” faz acontecer.

Esquecemos que as novas gerações não nascem com esse “apego” que temos hoje ao livro físico. Bem como sequer saberão o que foi uma fita K-7, um filme Kodak, um disco de vinil, ou uma máquina de escrever Olivetti. Mesmo assim continuamos a ouvir música, a tirar fotos e a escrever. Só que de um jeito diferente.

“A única coisa que ganha longevidade com o passar dos tempos é o homem, tudo mais irá sucumbir cada vez mais rapidamente…” (Zygmunt Bauman)

Os novos tempos já chegaram em alta velocidade. E se você não atentar para isso, vai acabar atropelado.

 

 

A volta dos que não foram



 

Alguém já disse uma vez: “só devemos acessar o passado se formos construir a partir dele…” Mas um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém.

Estava outro dia pensando na velocidade dos acontecimentos e nas transformações do mundo. Como o tempo está passando rápido (é só impressão?) e como algumas coisas que eram parte das nossas vidas ficaram pelo caminho e nem nos demos conta.

Pois bem, mais do que falar de propaganda eu queria falar da vida e de pessoas: Eu nasci para a propaganda dentro de um estúdio de “Arte final”.

Lembro como se fosse ontem, Fernando Carvalho, Chefe de Estúdio (sim existia essa função por aqui) da Mark Propaganda anotando a data: “16/04/1986”, início do meu estágio escrito com uma lapiseira Pentel, na parede, do lado de uma grande prancheta coberta com um plástico verde claro, luminária de ferro verde musgo, com alguns pontos de ferrugem e forrada com uma folha branca de papel cartão, tamanho A2.

Na minha frente, em outras três pranchetas de igual tamanho, sentavam Horestes, Cardozin (Irmão do Carfil) e o próprio Fernandão, merecidamente considerado o melhor Arte finalista do mercado, junto com a Sueli da MPM (sim também existia uma MPM). Arte final que também era chamada de “Past up”.

Para quem não sabe as “artes finais” ou “past ups” consistiam em colar com cola benzina, composições de textos, “bromuros de cromos”, copias em papel fotográfico de “kodalites” de títulos feitos em “Letra Set”, num papel cartão coberto com papel vegetal ou manteiga. Sempre obedecendo a um layout ilustrado em tinta “guache” ou “manchas de ecoline”.

Por esse motivo, também brincávamos nos auto-intitulando: “Os cheira cola”, eu mesmo me “lombrei” varias vezes montando folhas e folhas para past ups, era isso que fazia um estagiário na arte final. Era trabalhoso, insalubre, mas garanto que era mais divertido e visceral.

Aí vieram os computadores. E o mundo como conhecíamos virou de cabeça para baixo quase que da noite para o dia. E não estou exagerando, tudo isso ainda acontecia há menos de quinze anos atrás.

Não nos damos conta que alguns excelentes profissionais sumiram, ou perderam relevância atropelados pelos novos tempos.

Laboratoristas (também tínhamos isso) como Dedé e Barbosa foram pra onde?

E o mais triste, Ilustradores excepcionais como Carlos Brasil e Rui Costa literalmente morreram. E quando eu falo “excepcionais” não estou sendo gentil. Da mesma forma como não estou sendo dramático quando digo que “morreram” vitimados pelos novos tempos. Foi isso que aconteceu.

Poderia escrever “laudas” e “laudas” sobre essas lembranças e falar de um monte de gente importante para a propaganda cearense chegar aonde chegou. Não me perguntem o que eu pretendo com tudo isso. Eu realmente não sei.

Mas todas essas pessoas fazem parte da minha memória afetiva na propaganda e esse post, no mínimo, pretende fazer uma pequena homenagem a todos. Aos que se reinventaram e seguiram em frente, e aos que se foram deixando saudades.

Sim, tenho saudades do tempo em que a propaganda era feita com as mãos.

 

“Strip Tease Espiritual”



 

Vou aqui aproveitar para tirar uma casquinha nas palavras do Sociólogo e Filósofo Zygmunt Bauman, que desnuda em palavras um dos aspectos comportamentais do indivíduo dos novos tempos quando chama de “Strip tease espiritual” a nossa relação com as Redes Sociais e Internet.

Vamos confessar, nos tornamos mesmo uma espécie de “striper”, compartilhando nossa intimidade sem pudores, exibindo nossas angústias, nossos segredos, nossas emoções e nossas almas. Também nos tornamos uma espécie de “voyeur”, uma vez que a condição do exibicionista se completa no observador. Tanto nos mostramos quanto bisbilhotamos a “nudez” alheia.

Provavelmente para quem nasceu sobre o signo dos novos tempos, não haja qualquer estranhamento nesse processo de “busca”. Diferente de quem conheceu a vida de um jeito completamente diferente tempos atrás.

Sou do tempo em que fazer amizade era ter que conquistar pessoas na vida real. Me pego às vezes pensando sobre os prejuízos das “relações” reais Vs tempos de amizades virtuais. O que perdemos e o que ganhamos?

Um dos aspectos mais positivos, e o que pra mim parecia surreal, era a facilidade de reencontrar pessoas, gente que você não via há tempos, amigos de infância, colegas de escola, etc.

Um dos aspectos que me preocupa, é que me parece, desaceleramos as nossas relações reais. Paramos de fazer novas amizades verdadeiras. Encontramos cada vez menos pessoas e trocamos cada vez menos experiências.

Qual foi a última vez que você fez um amigo na vida real? Consegue lembrar?

Bauman conta que certa vez um jovem se gabou de ter feito 500 amigos em um só dia. Ele retrucou: “Puxa, eu tenho 85 anos e não tenho tantos amigos assim…”

Definitivamente a palavra “amigo” não significa o mesmo para os dois.

O “conectar” e “desconectar” tornou tudo mais simples e fácil. Com isso, as relações interpessoais reais provavelmente sofrerão algum prejuízo, diz Bauman.
É mais fácil “conectar” do que conquistar é mais fácil “desconectar” do que explicar o fim de uma relação. E não digo que isso seja necessariamente ruim, apenas diferente do que vivemos.

Não sei como será daqui pra frente, mas é provável que tenhamos cada vez mais amigos virtuais na internet, e na vida real, vivamos cada vez mais isolados.

Ou aprenderemos a peneirar o que compartilhamos, selecionaremos mais nossos amigos virtuais e buscaremos mais encontros reais?

Acho que isso só o tempo irá dizer. Esse “post” é apenas uma reflexão sobre mim mesmo e sobre o que diz Bauman: “Segurança e Liberdade, não há o ganho de uma sem a perda da outra…”


Agora se vocês me dão licença, vou vestir uma roupa.

Tudo tem um preço.



Vez por outra precisamos pontuar certas questões para nos posicionarmos diante de certas práticas de mercado.

Pra um empresário é muito fácil entender bem o que vou dizer: Custo x Benefício!

Procuramos obter preços justos dos nossos parceiros e fornecedores sem prejuízo da qualidade. Isso é legítimo e não se discute a importância da concorrência nessa questão. Sofremos uma espécie de “efeito China” na propaganda também.

A pergunta é: quanto da imagem da sua empresa ou marca você pode arriscar nessa barganha? A resposta é simples: nada!

As empresas ou marcas não podem sofrer qualquer prejuízo em nome do menor custo, de outra forma seria um tiro no próprio pé. O velho e ruim barato que sai muito caro.

Pois bem, é frequente ver empresas caindo em armadilhas e erros tão batidos, e de forma incompreensível, jogar a imagem das suas marcas lá pra baixo em um critério que não prioriza qualidade, profissionalismo, apenas preço. Algumas coisas são impraticáveis e todos nós sabemos disso.

Não dá pra brincar de roleta russa com a imagem da sua empresa. É bem sabido que quem economiza com “comida” gasta mais com “remédios”.

Qualquer cidadão comum sabe que um produto anunciado por um preço muito abaixo do mercado é cilada, picaretagem ou golpe. Porque seria diferente em serviços?

Não discuto a importância de gente nova surgindo, querendo mostrar serviço e ganhar mercado, os crescentes cursos de comunicação vão cada vez mais despejar gente sedenta por trabalho e notoriedade a qualquer custo em todos os setores. E tem pra todo mundo. Só não é a mesma coisa e não se vendam assim.

Talvez para alguns clientes que vão começar a anunciar, seja tentador ter uma agência que cobre mais barato, que tenha uma estrutura menor, profissionais novos, cheios de garra e vontade de acontecer, etc.

Mas até nesse caso é preciso que as “novas” agências (pra não falar das ruins) tenham cuidado pra não baixar as calças demais, de outra forma seria entrar num caminho sem volta, dar um tiro na própria bunda e quebrar em banda em pouco tempo sem entregar o que prometeram. E a gente já viu esse filme algumas vezes.

Quem tem uma boa agência sabe quanto custa ter profissionais reconhecidos e motivados em suas equipes, e isso faz toda a diferença do mundo.

Resumindo, quando contratar uma agência, saiba bem onde você está se metendo. Temos grandes e boas agências no mercado, mas não são muitas.

Para agências iniciantes, quando for procurada por um cliente, saibam quais as expectativas ele tem da sua agência. Isso é essencial na hora de apresentar os resultados e mostrar a conta.

Seja lá qual for a filosofia que a sua empresa adota, é bom saber que tudo, tudo mesmo, tem um preço. E de uma forma ou de outra, ele vai ser cobrado.

O fim do mundo



Chega o começo de ano e recarregadas as baterias, nos vemos em voltas com o dilema das promessas que fizemos na virada do ano.

Acabar com aqueles vícios, fazer as pazes com umas pessoas, perdoar aquelas outras, fazer dieta, fazer um check-up, etc. E o ano começa e nada.

O ano novo é uma espécie de fim de mundo com direito a reencarnação, onde você vê ali uma oportunidade de zerar o cronômetro. Mas o ano começa e tudo continua no mesmo lugar.

O mundo não acabou e você não mudou. Aliás, seu corpo é o mesmo, inclusive um pouco mais gordo e mais intoxicado, pelos excessos cometidos nas ceias de natal e festas de réveillon.

Vejo ano a ano nossas promessas se repetirem numa espécie de ritual de mentirinhas lícitas. Não estamos dispostos de verdade, ou não somos tão capazes de mudar como pensamos depois de duas, três, hic, ou quatro, hic, taças de espumante.

“O homem perdeu a capacidade de mudar. É por isso que o mundo tem que se renovar…” Dizem os profetas do apocalipse!

Está comprovado! Provocar uma mudança importante em nós mesmos não é nada fácil. Já vi gente morrendo prometer mudanças, ficar saudável e continuar na mesma.

Será que só a morte pode nos trazer essa famigerada mudança de consciência?

Será que precisamos ver o mundo e a nós mesmos de um ponto de vista mais elevado para conseguirmos perceber para onde estão nos levando todas as nossas mazelas?

Por outro lado, e se os materialistas tiverem razão? E se a vida acabar aqui? E se não houver mais nada, além disso? Então perdemos tempo demais nos sentindo culpados?

O fato é que precisamos acreditar em alguém, Jesus, Maomé, Buda ou Stephen Hawking. E todos eles dizem que existe uma inteligência maior por trás do universo. E eu acredito.

Alguns chamam isso de fé. Eu digo apenas que me preocupo comigo. Sim é uma espécie de egoísmo solidário, eu assumo.

E é por isso e só por isso, que quando o mundo acabar, pelo menos para mim, quero ter a certeza de ter tentado ser uma pessoa melhor.

Sem falsas promessas, sem propaganda enganosa.

Amanhã eu começo.

Corra que a Polícia vem aí!




O que vimos na primeira semana do ano seria cômico se não fosse trágico. Mais um fiasco das “loucademias” de assessoria de comunicação do que um fato propriamente dito.

Não estou aqui defendendo ninguém, não sou político ou cabo eleitoral de seu ninguém, mas justiça seja feita: Muito barulho por nada! E aqui eu podia me perder em citações numa situação em que dava mais para roteiros de filmes de terceira.

Fatos: “Policiais em greve…” “Policiais acampados…” “Policiais esvaziando pneus de viaturas…” “Imagens de arrastões…” “Policiais do interior aderindo a greve…” “O povo morrendo de medo…” “Comerciantes fechando o comércio…”
Vi uma breve declaração de um representante do exército que resume tudo: “o problema não é a insegurança. É a sensação de insegurança…”

Cadê a comunicação do governo? Cadê alguém que tranqüilizasse “oficialmente” a população? Os turistas? Os comerciantes?
A Indústria do medo é uma Indústria poderosa Senhor Governador.

Se esse episódio teve um grande beneficiado foi a oposição. Vamos concordar, a oposição deitou e rolou e deve estar comemorando até agora. Enquanto a Assessoria de Comunicação Oficial, não se sabe por que cargas d’água, ficou quieta e acabou pisoteada por um “arrastão” nas redes sociais.

Esse “arrastão internético” a que me refiro tem o mesmo DNA do movimento que potencializou a “Primavera árabe”, por exemplo. Uma faísca pode acender um barril de pólvora e provocar uma revolução.

Sabemos bem que nada demais aconteceu, nada que não aconteça todos os dias em algum lugar do Brasil ou do Ceará, (não que a situação seja aceitável, longe disso) mas o aumento da sensação de insegurança provocadas por todos esses fatores podem fazer estragos duradouros numa imagem política.

O jogo mudou. Isso vale para o bem e para o mal e é preciso ter consciência disso, ou corremos o risco de ficar a mercê de movimentos fabricados e sendo tangidos como gado. É na internet que tudo se potencializa e vice versa.

Quando ligarem a TV, não se esqueçam de não desligarem seus computadores e celulares, vocês podem estar sendo alvos fáceis dos “enxamistas” e histéricos de plantão.

A meu ver, o grande prejuízo nisso tudo é essa perda parcial da lógica e do bom senso. É muito fácil ver apenas o lado ruim de tudo.

E na internet assim como nas TVs sensacionalistas, quanto pior melhor.

2012.



Segundo várias profecias, o mundo como o conhecemos pode chegar ao fim…