Gritam vendedores ambulantes, mascates, publicitários enrustidos, sol a pino, no calor das vendas, entre milhos verdes cozidos e churrasquinhos de gato requentados.
A pressão desse mercado é tal qual aquela “muvuca” do centro da cidade, gente correndo atrás de uma oportunidade, gente reclamando da vida, e entre um arroto e uma bufa, buzinas de carros se confundem com os gritos de camelôs desvairados por um lugar à sombra.
Não é fácil ser publicitário, aliás, não é fácil ser coisa alguma que o valha. Mas publicitário segundo o Olivetto é um artesão, não um artista. O prazer do artesão, o artesanato, trabalho que caleja as mãos e o cérebro. E puxando o churrasquinho pra nossa brasa, somos heróis.
Sobrevivemos e vivemos para enaltecer marcas, indústrias, empresas e corporações, a despeito de toda a pressão, a despeito de qualquer desrespeito, com o valor que se dá e com a desvalorização que às vezes se pretende; estamos lá, heroicamente, sol a sol.
Não é fácil ser publicitário debaixo de tanta pressão.
Aliás, Nizan Guanaes, na festa da Jangadeiro, disse: “remunere bem as suas agências! Vocês se surpreenderiam se soubessem o nível de comprometimento que esses profissionais tem com os seus clientes…”
E é bem assim. Somos esse tipo de gente apaixonada que vende o almoço pra comprar a janta.
Gostamos do que fazemos, pelo vício de gritar a plenos pulmões quando uma campanha faz sucesso. Somos mesmo essa espécie de camelôs metidos a besta.
E se não tem borracha que segure essa pressão, desentupidor de fogão a gás reaquece as motivações e uma legítima pomadinha japonesa segura a paudurescência.
Porque a pressão amacia o que é duro, mas esbagaça o que é mole.






